Cirurgia da Obesidade e Metabólica

A cirurgia de redução de estômago é atualmente uma das operações mais realizadas no mundo. Sabe-se que nos Estados Unidos são realizadas em torno de 200 mil cirurgias ao ano e no Brasil aproximadamente mais 50 mil.

O fato é que a obesidade já é considerada um problema de saúde pública e os números estão crescendo no mundo todo.

No Brasil quase quarenta por cento da população já apresentam excesso de peso e aproximadamente dez milhões de brasileiros têm obesidade mórbida.

  • Primeiros Passos

  • Técnicas Cirúrgicas

  • Acompanhamento Pós-Cirúrgico

Acompanhamento Multidisciplinar

Psicologia:

Antes de serem submetidos à cirurgia, todos os nossos pacientes são avaliados pela psicóloga da equipe.

O objetivo desta consulta é detectar qualquer distúrbio que possa prejudicar a boa evolução no período pós-operatório. Em torno de 5 por cento dos pacientes apresentam depressão ou outros distúrbios psiquiátricos após a cirurgia. Nossa psicóloga está à sua disposição não só para uma avaliação no pré-operatório, como também para ajudá-lo a solucionar os problemas no pós-operatório.

O papel da psicóloga no tratamento da obesidade tem sido cada vez mais valorizado. Atualmente cerca de 10% dos pacientes operados podem voltar a ganhar peso. Isto se deve ao retorno da ansiedade, conhecida no meio médico por compulsão alimentar. A compulsão alimentar quando não tratada é a principal causa do reganho de peso.

Nutrição:

Outra profissional fundamental para que você tenha uma vida saudável no pós-operatório, é a nutricionista da equipe. Além de realizar uma avaliação pré-operatória minuciosa, irá fornecer através de documento uma orientação detalhada do que você deverá comer em casa: quantidade e a qualidade dos alimentos.

Todas as operações para obesidade levam a um emagrecimento rápido na sua fase inicial que diminui durante o tempo. A maior quantidade de perda de peso acontece nos primeiros 6 meses. O acompanhamento com a nutricionista é feito com 3 meses, 6 meses, um ano e depois anualmente.

Em cada consulta destas são realizados exames de sangue para verificar se existe alguma deficiência vitamínica ou de sais minerais. Tão importante quanto a cirurgia é ajudar você emagrecer com saúde! Esta é a função da nutricionista.

A suplementação com vitaminas, sais minerais e às vezes proteínas, é necessária durante os primeiros 12 a 18 meses.

Não seguir as orientações ou não retornar para as avaliações pode custar muito caro à sua saúde. Há algumas deficiências vitamínicas ou de micronutrientes que podem trazer repercussões graves.

Endocrinologia:

Alguns pacientes precisam também ser avaliados pela endocrinologista da equipe. Alguns pacientes que vêm à clínica já são encaminhados pelo seu próprio médico especialista não necessitam passar por esta consulta.

O endocrinologista tem um importante papel no diagnóstico de alterações hormonais que podem levar à obesidade.

Cardiologia:

Se você tem mais de 40 anos, tem pressão alta ou problemas no coração, nós indicamos também uma avaliação com um cardiologista da equipe.

Se você já tem um médico cardiologista, será necessária uma carta de liberação para a cirurgia deste profissional.

Exames

Além das consultas você será submetido a inúmeros exames de sangue, endoscopia e ecografia abdominal.

Estes exames são de fundamental importância não só para avaliar seu estado geral antes da cirurgia como também para termos parâmetros de comparação com os exames que serão realizados com 3 meses, 6 meses e anualmente após a cirurgia.

Dúvidas Frequentes

Posso realizar a cirurgia?IMC

Atualmente existem critérios bem definidos para pacientes com indicação para fazer a cirurgia de obesidade: Os critérios são baseados no seu peso e altura. Chama-se índice de massa corporal ou IMC. IMC = peso/altura².

Podem operar pacientes com:

  • IMC entre 35 e 39,9 com doenças associadas à obesidade como diabetes tipo 2, pressão alta, doenças cardiológicas e doenças osteoarticulares (problemas de joelhos, tornozelos, quadril ou coluna);
  • IMC acima de 39,9 em qualquer situação;

Além deste grupo de pessoas existem outros critérios?

Pacientes com IMC entre 30 e 35 podem ser candidatos à cirurgia.

Em casos especiais onde doenças cardiológicas graves, diabetes de difícil controle ou outras condições onde a obesidade é fator determinante no controle destas doenças.

Existe limite de idade?

Sim, o limite mínimo tolerado está entre 14 e 16 anos com avaliação criteriosa de um endocrinologista pediatra e indicação do mesmo acompanhado de registro em cartório da autorização dos pais.

Entre dezesseis anos e dezoito anos deve haver um consentimento assinado pelos pais do menor.

A idade cronológica máxima para a cirurgia é 65 anos, porém há pacientes que excedem esta idade e que biologicamente apresentam boa condição médica e podem ser candidatos à cirurgia. Tudo está relacionado com o risco e benefício da cirurgia.

Muitas vezes pacientes de 70 anos com problemas no joelho, quadril ou tornozelo estão clinicamente em melhores condições de serem submetidos à cirurgia comparado a pacientes de 60 anos com cardiopatias graves, diabetes de difícil controle e já avançado.

O mais importante é procurar um centro de referência que tenha experiência com pacientes bariátricos.

Devo realizar a cirurgia?

A chance de uma pessoa obesa morrer pela simples presença desta doença chamada obesidade é 10 vezes maior que uma pessoa magra. Associando esta condição (obesidade) à doenças graves como pressão alta e diabetes tipo 2 , o risco de morte se eleva ainda mais.

Existem publicações médicas demonstrando que a obesidade associada ao diabetes tipo 2 pode roubar até 15 anos na expectativa de vida de uma pessoa.

Tratamento do Sobre-Peso e da Obesidade Leve

IMC entre 26 e 30:

Muitos pacientes vêm até a nossa clínica procurando ajuda para perder peso com IMC de 26 a 30. Procuramos orientá-los sobre a importância do acompanhamento psicológico.

Veja se consegue me responder o porquê de você saber o que deve fazer para perder peso, mas invariavelmente boicotar a dieta ou o exercício?

Qual a diferença entre você e uma pessoa que consegue comer só um prato para matar a fome ou rejeitar uma sobremesa?

A resposta muitas vezes está na comunicação entre o comer e o parar de comer que acontece no cérebro. A mensagem é disparada pelos centros da saciedade (sensação de estar satisfeito) e da fome e depende da capacidade destes centros se comunicarem. Esta comunicação depende de uma substância química no cérebro chamada neurotransmissor e lugares específicos que os recebem chamados neuroreceptores. Algumas situações podem disparar estas mensagens de forma errada.

A correção desta falha de comunicação é feita através de tratamento medicamentoso específico. O profissional que prescreve estes medicamentos e entende muito do assunto é o psiquiatra.

O psiquiatra tem um papel fundamental para que a perda de peso seja persistente e duradoura.

IMC entre 27 e 35

Se seu índice de massa corporal está entre 27 e 35 e já passou por vários tratamentos clínicos com acompanhamento nutricional e inúmeras dietas com resultados dos mais variados ou com endocrinologista utilizando fórmulas ou medicamentos que alteram seu humor e com efeito temporário.

O balão intragástrico é uma boa alternativa.

É um dispositivo de silicone, preenchido com 650 ml de soro e 20 ml de azul de metileno.

A presença do balão dentro do estômago causa uma sensação de plenitude (estômago cheio). O paciente sente-se satisfeito mais rapidamente quando se alimenta.

Este fenômeno chama-se saciedade precoce. A saciedade precoce é um dos mecanismos utilizados em cirurgias para obesidade.

Sua colocação é por meio de endoscopia (mesmo procedimento utilizado em exames para a detecção de problemas de estômago como úlcera e gastrite). Trata-se de uma alternativa não-cirúrgica para o tratamento da obesidade e um dispositivo seguro e eficaz para a redução de peso.

Existem atualmente 5 técnicas conhecidas e reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina e Ministério da Saúde. São elas:
Banda Gástrica Ajustável Gastrectomia Vertical Bypass Gástrico Derivação Biliopancreática de Scopinaro Derivação Biliopancreática com Duodenal Switch Os Riscos da Cirurgia

Banda Gástrica Ajustável

Banda GástricaConsiste na colocação de uma prótese de silicone com uma pequena câmara pneumática interna ao redor do estômago em sua porção inicial.

Foi um procedimento muito realizado no final da década de 90.

Vem caindo em desuso no Brasil e Europa. Quando lançada nos anos 90 seu grande apelo era o fato de ser o único procedimento que na época era realizado por vídeo-laparoscopia. Atualmente poucos grupos no Brasil realizam este procedimento.

Por ser um procedimento puramente restritivo, a comunidade da cirúrgica bariátrica hoje em dia dá preferência à gastrectomia vertical ou sleeve.

A perda média de peso é de 20 a 25% e as taxas de reganho de peso são muito elevadas. Além disso, podem ocorrer complicações como migração da banda e erosões do estômago.

Gastrectomia Vertical ou Sleeve

Gastrectomia VerticalConsiste em uma ressecção (retirada) de dois terços do estômago em seu eixo vertical transformando-o em um tubo afilado.

Esta cirurgia se baseia em dois princípios: o da restrição do volume alimentar ingerido e o da retirada de uma área do estômago onde é produzido um hormônio chamado grelina. Este hormônio é responsável por gerar a sensação de fome. Outras partes do intestino delgado também produzem este hormônio e ainda não se conhece totalmente suas ações.

Ela apresenta duas grandes vantagens. A primeira e mais importante é o fato de que pacientes submetidos a esta cirurgia necessitam de pouca ou em alguns casos nenhuma suplementação vitamínica.

É bem indicada em pacientes com anemias crônicas, osteoporose grave ou ainda em condições clínicas que necessitem a primeira porção do intestino para absorção de medicamentos. Também está indicada em pacientes que estejam dispostos a não perder tanto peso.

Aqui se torna obrigatório fazer um acompanhamento adequado com a psicóloga ou psiquiatra da clínica. A perda média de peso é de 25 a 30% do peso inicial. Outra vantagem é se houver reganho de peso é possível a realização de outras cirurgias bariátricas subsequentes.

Entre as desvantagens estão o fato de ser uma cirurgia irreversível; não deve ser indicada para pacientes comedores de doces ou que tenham doença do refluxo gastroesofágico. O acompanhamento psicológico destes pacientes é fundamental no tratamento da compulsão alimentar, componente comum no paciente com obesidade.

Bypass Gástrico ou Cirurgia de Fobi-Capella

Bypass GástricoSem dúvida nenhuma, essa é a cirurgia bariátrica mais realizada no mundo.

Ela consiste em uma redução do estômago através de grampeamento. O estômago é dividido em duas partes: uma menor que será por onde o alimento irá transitar e outra maior que ficará isolada. Este pequeno estômago é então ligado ao intestino para que o alimento possa seguir seu curso natural. Todas as secreções do estômago separado, duodeno e pâncreas serão levadas a uma nova anastomose do intestino feita mais adiante. Somente neste ponto o suco digestivo entrará em contato com os alimentos.

O fato de o estômago ficar menor não quer dizer que você irá passar fome. Atualmente sabemos que existe um hormônio responsável pelo nosso apetite chamado grelina. Este hormônio é produzido em todos os segmentos do trato digestivo, mas é produzido em maior quantidade no estômago na parte que irá ficar isolada depois desta cirurgia gerando uma inapetência no período pós-operatório. É muito comum, depois dessa operação, os pacientes perderem totalmente o apetite. Com o tempo o apetite volta devido ao aumento de produção deste hormônio pelo intestino. É muito importante não confundir apetite com “vontade de comer” ou compulsão alimentar. A perda média de peso nesta cirurgia é de 35 a 40% do peso inicial.

Derivação Biliopancreática de Scopinaro

Derivação Biliopancreática - Cirurgia de ScopinaroA cirurgia de Scopinaro pode ser modificada; e desta forma fica um pouco menos agressiva por não retirar o estômago distal.

Deixa um grande segmento do estômago distal, duodeno e jejuno exclusos do trânsito de alimentos. Faz anastomose do intestino delgado no estômago proximal, e do jejuno ao íleo. Seus benefícios e complicações são similares às cirurgias mais disabsortivas e menos restritivas.

Esta cirurgia também tem sido considerada uma das cirurgia que apresenta melhor resposta no tratamento da diabetes (em torno de 95% de remissão da doença). Por isso é indicada em pacientes obesos diabéticos. Em pacientes diabéticos com menor IMC essa cirurgia pode ser realizada com o desvio intestinal menor. Sua taxa de reganho de peso é muito inferior ao das outras cirurgias não ultrapassando 2% contra os 10% a 20% dos outros procedimentos.

Perde-se em torno de 40 a 45% do peso inicial. Portanto deve ser indicada em um grupo especial de pacientes. Existe o risco de levar o paciente à desnutrição e isso pode ocorrer em 2% dos pacientes. Outra desvantagem desta cirurgia é mau cheiro dos gases e fezes.

Derivação Biliopancreática com Duodenal Switch

Derivação Biliopancreática - Duodenal SwitchEsta é uma cirurgia restritiva e disabsortiva. A porção restritiva da cirurgia envolve a remoção de cerca de 70% do estômago ao longo da curvatura maior semelhante a uma Gastrectomia Vertical ou Sleeve.

A porção disabsortiva da cirurgia desvia um segmento do intestino delgado que recebe a passagem do alimento, e outro segmento que desvia os sucos digestivos criando duas vias distintas e um canal comum. A menor das duas vias intestinais leva alimento do estômago para o canal comum. A outra via é o segmento intestinal biliopancreático, que carrega o suco digestivo para o canal comum. O canal comum é a porção do intestino delgado, geralmente 100-150 centímetros de comprimento, em que ocorre a mistura do conteúdo alimentar com o suco digestivo antes de chegar ao intestino grosso.

A má absorção do Duodenal Switch requer que os pacientes que se submetam ao procedimento necessitem tomar suplementos vitamínicos e minerais para sempre.

Os Riscos da Cirurgia

Toda cirurgia pode apresentar riscos inclusive risco de vida.

Atualmente as publicações médicas referem um risco de morte desta operação entre 0,1 a 0,5 %. Um risco pequeno, porém presente. Em questões práticas significa que um em cada mil pacientes operados pode ter um fim trágico.

Complicações também não são comuns, mas podem ocorrer em 1 a 5% dos casos.

Uma das complicações que mais preocupam o cirurgião é a trombose venosa profunda (formação de trombo nas veias das pernas), isso pode levar a uma embolia pulmonar (êmbolo que se desprende do trombo e vai obstruir uma veia pulmonar); pneumonia (infecção no pulmão); atelectasia (quando parte do pulmão murcha e não quer se expandir); e finalmente a fístula (quando há um extravasamento do conteúdo intestinal ou do estômago por uma abertura das costuras feitas durante a cirurgia).

Sobre as fístulas pós-operatórias, atualmente um dos grandes desafios das empresas que fabricam materiais para a cirurgia de obesidade é criar um produto que evite o aparecimento de fístulas. Já existem, no exterior, produtos que podem ser usados durante a cirurgia que diminuem ainda mais os riscos do aparecimento de uma fístula, mas ainda não temos acesso a estes materiais. As causas do aparecimento das fístulas são muito variadas: vão desde uma ingestão alimentar exagerada pelo paciente nos primeiros dias de pós-operatório; até uma “rejeição” do estômago aos “grampos” utilizados na cirurgia. A incidência de uma fístula varia entre 0,5 a 1% (de 1 a 2 pacientes em cada 100 operados). Isto ocorre em serviços de cirurgia bariátrica com grande experiência. Os números estatísticos que se referem à incidência de fístulas estão em todas as publicações médicas pelo mundo. As complicações fazem parte do risco de qualquer cirurgia.

 

Nutrição

A nutrição desempenha papel fundamental no pré e pós operatório nas cirurgias da obesidade. Aspectos nutricionais são de fundamental importância para o sucesso da cirurgia. O nutricionista é o profissional que irá preparar o paciente no pré operatório, utilizando o alimento como principal ferramenta.

Da mesma forma, irá orientar o paciente acerca dos melhores alimentos a serem consumidos, com vistas à promoção de um bom estado nutricional, bem como acerca dos volumes necessários e permitidos que deverão ser consumidos pós cirurgia.

Atividade Física

As últimas décadas foram marcadas por grandes avanços tecnológicos, com descobertas de curas de doenças, acesso ilimitado às informações mundiais em tempo real, enfim, estamos literalmente conectados 24h. Por outro lado, houve uma adaptação do homem a este novo cenário. Ficamos dependentes da nossa evolução, passamos várias horas em frente ao computador, as atividades diárias requerem menos movimentos, e ainda assim nos falta tempo, pois tudo acontece muito rápido e precisamos acompanhar esta velocidade.

Além disso, o sedentarismo tem criado pessoas não-funcionais, incapazes de realizar movimentos básicos e inatos do ser humano, com encurtamentos e desequilíbrios musculares crônicos, levando, assim, a adaptações estruturais físicas em todo corpo.

Com este perfil, a sociedade atual precisa de novos treinamentos e visando essa carência surgiu o Treinamento Funcional, criado a partir da reabilitação, onde movimentos eram usados para recuperar lesões e posturas inapropriadas, principalmente de atletas.

O que é Treinamento Funcional

O Treinamento Funcional é uma abordagem diferente para pensar o desenvolvimento motor e o condicionamento físico do indivíduo, ou seja, o Treinamento Funcional possibilita uma preparação para a execução de movimentos mais eficientes (aumento de performance) e a prevenção de lesões, tornando o corpo mais inteligente nesse processo, e fazendo acessível a qualquer indivíduo as estratégias de condicionamento usadas pelos melhores atletas do mundo.

Como benefício o aumento de Força e Massa Muscular, Perda de Peso, Gordura e aprimoramento da Postura desenvolvendo de forma equilibrada todas as capacidades físicas como: Equilíbrio, Força, Velocidade, Coordenação, Flexibilidade e Resistência são possíveis pela prática regular de um programa de Treinamento Funcional.

Aparelho Digestivo

Cirurgia da Obesidade

Coloproctologia

Cirurgia Vascular

Centro de Hérnias